Eu odeio Madonna!

December 13th, 2008

Por que é tão difícil dizer essa frase?

Madonna é uma daquelas personagens que ou se ama ou se odeia. Com 50 anos recém-completos, ela acumula, em mais de duas décadas de carreira, escândalos, mancadas e polêmicas típicas de quem vive em função dos holofotes. Desde o lançamento de seu primeiro single, “Everybody”, em 1982, a chamada rainha do pop comprou muitas brigas. Já provocou os críticos, as feministas, a igreja, associações de adoção e chefes de estado – , além de trocar farpas públicas com Elton John, Jon Bon Jovi e seus dois ex-maridos, Sean Penn e Guy Richie. E quem liga? Ela é indiscutivelmente a rainha da música pop. Mas qual é o real valor dessa majestade? Por que ninguém se atreve a questioná-la?

A deusa pop tem uma horda de fãs fiéis que a defendem com unhas e dentes. Não foi preciso muita pesquisa para se chegar a essa conclusão: um simples “Alguém aí odeia Madonna?” no nick do MSN, com o intuito de encontrar personagens para a matéria, suscitou longos debates com fãs aguerridos e até mesmo não-assumidos que parecem considerar a superioridade da musa indiscutível. E apesar de ser uma unanimidade do grande público, alguns pontos acerca da diva são contestáveis.

Entre acusações de fazer música de pouca qualidade, Madonna sempre é lembrada por seu baixo alcance vocal e por ter, nos últimos tempos, abandonado as composições próprias que a tornaram conhecida no mundo todo. Mas se, musicalmente, a fabulosa é pouco qualificada, o mesmo não se pode dizer de sua performance e de sua vocação para entender o que o público quer. A cada novo disco, surge sempre uma nova Madonna, agregando características que provavelmente vão ser descartadas no trabalho posterior. Isso mostra que, muito bem cercada de assessores e produtores, Madonna entende as regras do mercado não só da música, mas sabe combiná-las com o panorama mundial do momento, numa mistura de sabedoria e oportunismo.

“A Madonna é extremamente rentável e essas mil faces dela são um choque de coisas internas e externas, como autencidade e estilo - próprias dela - com o mercado e o momento histórico que vivemos”, explica o crítico de música do site Scream & Yell, Marcelo Costa. E é por causa desse reconhecimento que Madonna conseguiu grandes façanhas não apenas financeiras, como, por exemplo, entrar para o seleto Rock And Roll Hall Of Fame – mesmo fazendo uma música diferente de medalhões roqueiros típicos como Van Halen, já agraciados com um cantinho no museu de Detroit.

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A vingança dos nerds

August 9th, 2008

 

as gostosas e os geeks
Adivinha quem é o nerd clássico…

 

Desde os primórdios acadêmicos, os inteligentes e os belos travam uma luta feroz uns contra os outros numa batalha que nunca termina. Os expoentes intelectuais da escola sempre julgam que os rapazes e moças mais bonitos são só uma carapaça linda e oca, sem nada a acrescentar; para os gatões, aqueles caras feios que sempre tiram as melhores notas são nada mais que lixo que não sabe se divertir. Os mais sábios contribuem à humanidade com seu conhecimento, trazendo qualidade de vida e descobertas fantásticas; os mais exuberantes oferecem ao mundo a satisfação da necessidade que todo ser humano tem de se manter em contato com o que é belo e sublime, trazendo graça pra nossa vidinha sem graça e desiludida.

Pois bem… Depois de toda essa explicação pseudo-sociológica sobre o tema, imagine o que é fazer estes dois grupos humanos divergentes conviverem entre si em um lugar onde essa proximidade pode ser muito pior do que em meio aos bancos escolares: uma mesma casa. Foi essa idéia maluca que motivou Ashton Kutcher, junto com o produtor Jason Goldberg (”Efeito Borboleta”) e o roteirista Nick Santora, a produzirem o reality show “The Beauty and The Geek”, ou “As Gostosas e Os Geeks”, como traduziu o Multishow desde que começou a exibir a primeira temporada da série no fim de julho.

“The Beauty and The Geek” foi ar pela primeira vez nos Estados Unidos em 2005. A idéia deu tão certo que o programa já está na sua quinta edição. O objetivo do jogo é reunir seis beldades e seis cérebros em uma mesma casa de modo que um aprenda com o outro a neutralizar “seus pontos fracos”: as gostosas precisam se tornar um pouco mais inteligentes e os nerds precisam aprender a ser mais descolados. E o mais difícil: os jogadores precisam trabalhar em pares (gostosa+nerd). A dupla que mais evoluir leva um prêmio de 250 mil dólares.

Nesse circo, tem de tudo. De modelo de Lingerie a estudante de neurologia , “As Gostosas e Os Nerds” traz uma reunião de pessoas com diferentes ocupações. O participante que mais chamou atenção no reality show foi Richard Rubin, um CDF do tipo clássico, daqueles que usa calça “saint-tropeito” e que nunca beijara uma garota até entrar no programa (Sim!). Mas também há algumas surpresas, como o bonitão Brad, um membro da Mensa (sociedade mundial que reúne as pessoas de QI mais alto) que ficou com a modelo-vivo da Barbie, Erika. Os dois, aliás, foram eliminados antes da metade do programa - talvez por terem evoluído mais do que suficiente. 

O Multishow já está exibindo os últimos episódios de “As Gostosas e os Geeks”. A aspirante a especialista em moda Caitilin e o estudante de neurologia Chuck venceram a primeira temporada. Caitilin parecia a mais centrada das moças, sem ter um ar tão fútil quanto as outras. Apesar da tentativa de mostrar dois mundos, fica claro que o fútil universo da beleza vazia sai perdendo. Nos depoimentos das eliminadas, sempre aparece algum “Eu nunca conheci caras como eles”. Verdade ou não, serve pra lembrar ao público que aquele cara esquisito que sempre sentava na primeira fila pode ser uma boa companhia - mesmo que isso também não seja regra. Chuck e Caitilin levaram os 250 mil dólares, mas quem venceu o programa foi a nossa razão iluminista, que prega que devemos ser livres, generosos e, principalmente, vencedores na vida pelo nosso esforço intelectual. Ponto para nós, nerds, que enfim podemos - de certo modo - nos vingar dos apelidos e atrocidades sofridas pelas gatinhas e gatões que nunca poderemos tocar provando que também somos legais.

De olho na cabeça

July 28th, 2008

Um clássico da moda – literalmente – há milênios, o chapéu está abandonando os salões de festas tradicionais e as cabeças dos vovôs para ganhar as ruas. Depois de anos esquecido em brechós, ele sai dos armários direto para a cabeça dos modernos. Hoje é acessório obrigatório para os fashionistas, dando um toque informal a qualquer produção.

Os primeiros acessórios de cabeça parecidos com o chapéu contemporâneo surgiram na Babilônia e na Grécia e eram usados principalmente por pessoas de posição social elevada, como sacerdotes e nobres. Ele continuou servindo de emblema para identificar os mais diferentes grupos sociais até cair em desuso nos anos 30 e ser adotado pelas mulheres como símbolo de charme e elegância a partir da década seguinte. Nos anos 90, os modelos clássicos foram substituídos no gosto popular pelos bonés, ficando restritos à palha da moda praia.

Kate MossNos últimos dois anos, os chapéus começaram a reaparecer timidamente nas vitrines das lojas e ícones fashion como a patricinha Paris Hilton e a modelo Kate Moss passaram a ostentar acessórios de cabeça estilosos. O cantor Justin Timberlake, fã de chapéus do tipo Fedora, tornou o acessório uma marca do seu estilo e é hoje copiado por antenados de todo o mundo.

O estudante de direito Lincoln Aguiar, freqüentador do circuito alternativo do Rio de Janeiro, não dispensa o chapéu numa boa balada.
– Eu sempre gostei de acrescentar toques ao visual e o chapéu dá uma bela quebrada na monotonia. Já até me abordaram comentando do chapéu.

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Como o belo som de uma catedral

July 10th, 2008

Da minha adolescência, quando eu era ouvinte assídua do poperô das rádios, lembro vagamente de ouvir falar de algo chamado Beach House. A memória me falha, mas se não me engano, era uma coletânea de canções dance farofa, desses montes que vivem na órbita das rádios jabazeiras… Enfim, essas músicas grudentas que vivem em rotação na programação até o ouvinte não agüentar mais e tomar asco pela coisa.

Sete anos depois, me deparo de novo com um tal Beach House, mas que nada tem a ver com aquele perdido na minha memória. Ao contrário do que emerge nas minhas lembranças, esse Beach House é limpo, lírico, lindo. Esse Beach House faz um dream pop de primeira, fofíssimo, viciante e audível até mesmo aos ouvidos mais popeiros… É praticamente um barulhinho bom pra ouvir na cama num dia chuvoso de inverno, daqueles em que a gente nem levanta e só quer mesmo é dar vazão à preguiça.

Os pais da criança são o estranho casal mezzo hipongo mezzo barroco formado pela francesa Victoria Legrand (Vocais/Órgão) e pelo guapo Alex Scally (Guitarra/Teclado), uma dupla de Baltimore que se comporta como se tivesse uma ligação cósmica entre fraternal e incestuosa - não se sabe se são de fato um casal, enfim. Os dois se conheceram em 2004 através de um amigo em comum e criaram o Beach House no ano seguinte. Para eles, fazer música é uma experiência única, numa inabalável troca de energia. Talvez a isso se deva o som “etéreo” que eles fazem, algo que parece ter sido criado sob a cúpula de uma igreja medieval com seus órgãos dramáticos e ressonantes.

Em 2006, o Beach House lançou seu álbum de estréia homônimo com grande sucesso de crítica. Em fevereiro desse ano, “Devotion” foi lançado nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália - um disco definitivo para consolidar a beleza atormentada do som de Legrand e Scally. E é isso o que o BH faz de melhor: me lembra todos os dias de que música é arte e que, mais que isso, é um meio de tocar o espírito de cada ser humano do modo mais irracional, tribal mesmo, daquele modo catártico que só ela pode fazer. É ouvir e gamar.

Hoje é dia de Santo Antônio

June 13th, 2008

…e o negócio é apelar porque tá difícil, viu…

Bate-papo: No MSN com o MTJ!

June 6th, 2008

Eles são quatro rapazes com idades entre 15 e 18 anos que amam música e fazem o maior sucesso. Não, essa não é a mais nova boyband manufaturada num programa de televisão. Estou falando do crew do blog Move That Jukebox!, um fenômeno de popularidade entre as publicações independentes sobre música. Marçal Righi, Gabriel Zorzo, Cédric Fanti e Alex Correa se conheceram numa comunidade do orkut e há seis meses criaram o MTJ! que, segundo o Statcounter, já teve seus posts diários lidos mais de 270 mil vezes. Em abril, o blog apareceu numa lista do site do Skol Beats sobre os blogs de música mais relevantes no país junto com nomes de peso como Gustavo Mini, Pedro Alexandre Sanches, Bruno Natal e Lúcio Ribeiro. Nada mal para um bando de moleques que ainda estão no colégio ou mal saíram dele.
Conversei no MSN com o Gabriel - que depois trouxe o Cédric pra conversa - na noite de uma quarta-feira qualquer. Segue o bate-papo.

Urbanoide: Antes de qualquer coisa, me fala um pouco de você.
Gabriel: Bom, meu nome é Gabriel Zorzo, sou de Belo Horizonte. Tenho 18 anos, eu sou o mais velho lá do blog. Sou estudante da música na UFMG. Tenho envolvimento com música já faz uns 5 anos, comecei a tocar instrumento e tal… E entrei esse ano na faculdade.

U: Você toca o quê?
Gabriel: Violoncelo e piano.

U: Como nasceu o Move That Jukebox!?
Gabriel: O blog é bem recente, acho que tem cerca de 6 meses só. A gente se conheceu por causa do Tim Festival do ano passado. O Cédric começou um chat lá na comunidade do Tim no Orkut, aí com o tempo os outros foram entrando… Isso cerca de um mês antes do festival. Depois que passou o Tim, o Alex criou o blog e nos chamou, que éramos mais amigos, pra participar.

U: Nossa, que coisa…! Totalmente na era da web 2.0, né? Hehe…
Gabriel: Hehehe, pois é…

U: E é todo mundo de BH mesmo?
Gabriel: Que nada, só eu. O Cédric é de São Bernardo do Campo (SP), o Marçal de São Paulo (SP) e o Alex de Teresópolis (RJ).

U: Por que um blog de música exatamente?
Gabriel: Acho que é porque já foi a música que fez a gente se conhecer, justamente por termos quase os mesmos gostos e interesses.

U: Vocês se inspiram em alguém? Sei lá, tem um tipo de mentor espiritual blogueiro, algo assim?
Gabriel:
Eu, particularmente, não. A maior parte das coisas que nós fazemos no blog são idéias que surgem em conversas nossas, sugestões de fora. Mas não nos espelhamos em ninguem não. Ei, tem um outro integrante do blog online, quer que adicione ele também na conversa?
U: Ótimo, melhor ainda

Cédric está na conversa.

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Moptop @ Nocapricho (31/05)

June 4th, 2008

Gabriel Marques e Daniel Campos

Pra quem já passou dos 17 há um tempinho, parece um tanto quanto infernal dividir o mesmo espaço que mais ou menos 400 adolescentes histéricas. Foi isso que quem quis ver o show do Moptop na festa da Capricho teve que suportar, afinal, como se tratava de um evento de uma revista para meninas, era mais que natural que elas estivessem lá em peso… E gritos.

Fui ao Nocapricho só pra ver os meninos tocarem. Para assistir ir ao show, bastava trocar um flyer impresso direto do site da revista por convites em lojas da Chili Beans. Não sou fã da banda, mas, bem, de graça, vai até injeção na testa - admito. De qualquer forma, valeu a pena sair de casa para vê-los no Monte Líbano em uma fria noite de sábado. Os rapazes são muito bons ao vivo, coisa rara entre tantas bandas por aí. Além disso, em meio aos gritinhos das menineenhas da platéia para o baixista-pão Daniel Campos (Melhor nem mencionar o nível de decibéis quando ele tirou a camisa…), o Moptop tocou uma enxurrada de músicas novas que devem estar no próximo disco, “Como Se Comportar”, a ser lançado ainda este mês.

O show atrasou mais ou menos meia-hora e durou uma hora cravadinho (ou seja, 30 minutos a mais para quase ficar surdo com a tamanha manifestação das teens…). Eles entraram tocando “Moonrock”, música que eu conheci ainda na época do EP. Com energia, seguiram com “Uma chance” e as novas “2046″, “Contra-mão” e “Tempos depois”. No bolo de músicas rápidas, duas meninas conseguiram invadir o palco, fazendo a organização reforçar a segurança do lado direito e deixar um armário engravatado para tomar conta das crianças mais afoitas.

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Recordar é viver

June 1st, 2008

The Velvet - Outubro de 2002

Nessa noite fria e chuvosa, enquanto eu devia estar me dedicando aos meus trabalhos escravo-acadêmicos, estou aqui me divertindo com o Internet Archive. O IA é espécie de grande memorabilia de documentos publicados na rede desde 1996 a até alguns meses atrás. Segundo a Wikipedia, o site se baseia em múltiplas cópias arquivadas, perdidas pelos servidores de toda a rede. Foi assim que eu pude encontrar postagens do segundo blog que eu tive, lá pelos idos de 2002, quando a febre era manter blogs no estilo diarinho… Apesar da vergonha pelas bobagens escritas… A nostalgia às vezes faz bem, né?

Pérolas jornaléricas #2

May 22nd, 2008

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O Globo Online - Cultura (22/05/2008)

Titia Jules agora vai fazer uma brincadeira com vocês… Onde está o erro na chamada acima? Quem acertar ganha um doce de cajamanga! O mais engraçado é que a mesma falta de cuidado/merda em chamada aconteceu mais uma vez perto de/num feriado… Se o povo não quer trabalhar, pode falar comigo que eu quero, viu???

Garotinha 36

May 18th, 2008

A mulher saiu do cinema. A película francesa não lhe havia agradado muito. Entretanto, voltava pra casa a respirar o acre ar do subúrbio inteiramente inebriada pelo charme da doce lolita da tela grande. Como ela, queria seduzir. Olhava os homens. Olhava as cores. Por que tudo lhe parecia tão vivo? Por que a essência da vida se apresentava ali tão exagerada? Por que seus sentidos estavam tão aguçados?

Ela sentia que tinha o mundo nas mãos… E o poder entre suas esguias pernas. Queria laçar um homem entre elas e sentir-se completa nem que fosse por algumas dezenas de segundos. Queria amar a vida. Queria ser amada por ela. Queria ser amada pelos homens, não importando sua classe, cor ou credo. Queria sentir, suar, sorrir, doer… Como a jovem do filme. Queria esquecer das contas a pagar e das rugas que já lhe riscavam a face. Queria sentir o vento em seus cabelos. Queria deixar-se encharcar pela chuva numa noite de temporal. Queria tocar o corpo do jovem rapaz que se sentara na poltrona ao lado. Queria sentir rugir a fêmea que ainda se escondia por trás dos óculos e dos trajes comportados.

Queria sentir a vida latejar em cada milímetro cúbico de sangue em suas veias cianescas… Queria se sentir mulher, mas com o espírito livre e selvagem que alguma vez tivera antes de chegar tão perto da meia-idade, ponto no qual se encontrava agora. Queria ser bicho… Queria de volta o que a fizera divertir-se e gargalhar por tanto tempo. Queria uma alma de Lolita no corpo de mulher. Queria algo que já não mais podia ter…

Mais uma vez, sozinha, ela volta pra casa e dorme. E no dia seguinte, já nem se lembra mais de seus anseios por devorar a vida. As atribulações a fazem esquecer. A lolita já lhe esmoece na memória… E a vontade de viver? Ah, essa se torna só mais um sonho que ela não pode comprar…